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Jakub Szczęsny

Jakub Szczęsny, fot. Bartek Krupa / Forum
Jakub Szczęsny, fot. Bartek Krupa / Forum

Arquiteto, autor de instalações artísticas, nascido em 1973 e graduado na Escola Politécnica de Varsóvia. Ganhou fama construindo a Casa de Keret, conhecida como a casa mais estreita do mundo, em um pequeno espaço entre dois prédios na esquina das ruas Chłodna e Żelazna em Varsóvia.

A casa mede 152 centímetros na parte mais larga e 92 centímetros na parte mais estreita. Combinando arquitetura, intervenção urbana e ação artística no espaço público, é uma habitação minúscula, porém funcional, que serve como ateliê para artistas (além do escritor israelense Etgar Keret, outros artistas que foram escolhidos através de um concurso também podem utilizar o espaço como um local de trabalho). Ao mesmo tempo, o prédio é uma manifestação do autor acerca da história do bairro (a Casa fica no antigo gueto judeu da época da ocupação nazista) e de toda a cidade de Varsóvia, sua história de guerra e situação contemporânea. A Casa foi mencionada pelo ”New York Times”, "Le Monde", BBC e Deutsche Welle, tanto pelo conceito artístico inerente ao projeto, quanto pela forma arquitetônica extraordinária.

O prédio, com a área de 14 metros quadrados não é uma exceção no portfólio de Szczęsny, que gosta de projetar objetos em pequena escala. Em relação à Casa de Keret, o arquiteto afirmou:

"Para um arquiteto, os desafios mais interessantes são sempre aqueles que exigem encaixar um grande número de elementos num contexto espacial ou orçamental limitado. Consequentemente, a redução é um tema fascinante, pois implica no uso de formas completamente diferentes de desenho e de organização ergonômica, em comparação com as que constam nos manuais tradicionais. É um tipo de equação com várias incógnitas".

Em 2011, o arquiteto projetou um sistema de móveis dobráveis que utilizou em sua própria casa. Sua escalas e formatos o permitiram organizar um espaço em que pudesse trabalhar, dormir e descansar, ainda que dispusesse de apenas 21,5 metros quadrados.

 

Grupo Centrala

Em 2001, Jakub Szczęsny, em conjunto com um grupo de arquitetos, artistas e designers, fundou o coletivo de arquitetos intitulado Centrala. “O desenho arquitetônico é um processo criativo que não pode ser realizado de forma isolada em relação ao pensamento filosófico atual e nem de outras modalidades de arte”, declaram os membros do grupo. Centrala realizou os seguintes projetos arquitetônicos: o ginásio poliesportivo em Bieruń realizado em 2007, a remodelação do pavilhão da estação Warszawa-Powiśle em uma moderna cafeteria no ano de 2009, e também realizações temporárias, tais como o pavilhão Ohel, uma estrutura provisória no local da construção do Museu da História dos Judeus Poloneses (Muzeum Historii Żydów Polskich) em Varsóvia. Além disso, incluem-se exposições para o Museu de Arte Moderna (Muzeum Sztuki Nowoczesnej), a Fundação Bęc Zmiana, o Łódź Design Festival e a Bienal de Arquitetura em Veneza. Funcionando como uma cooperativa, o grupo Centrala também desenvolve projetos teóricos visando estimular os debates acerca das mudanças no ambiente espacial. Foi com esse objetivo que surgiram ideias, um tanto provocadoras, como a remodelação do prédio Rotunda, no centro de Varsóvia (dialogando com a herança do modernismo do pós-guerra), ou ainda o projeto "Uśmiech Warszawy" (Sorriso de Varsóvia), criado com o objetivo de provocar um novo olhar para questão a urbanística da cidade.

 

Instalações

Jakub Szczęsny, "Synchronizacja", fot. Martin Waldmeier
Jakub Szczęsny, "Synchronizacja", fot. Martin Waldmeier

Em 2008, no âmbito do projeto "Synchronizacja" da fundação Bęc Zmiana, Szczęsny suspendeu sob a ponte Łazienkowski em Varsóvia uma composição de lâmpadas fluorescentes, transformando um lugar lúgubre e perigoso em um espaço alegre, onde as pessoas pudessem ter a possibilidade de se divertir. Um ano mais tarde, no rio Wisła, no centro da capital, ele montou "Wy-spa" (A ilha), uma instalação composta de equipamentos de ginástica. Os habitantes de Varsóvia tinham a oportunidade de treinar ajudando, simultaneamente, a tratar as águas do rio. Os equipamentos eram conectados a filtros especiais que tratavam a água utilizando o trabalho dos músculos humanos. Em 2013, na ocasião da sua exibição na galeria BWA em Wrocław, Szczęsny construiu uma "auréola luminosa" no pátio vizinho, instalação que transformou o "bolso sombrio da cidade”, como o arquiteto chamava o pátio descuidado, em um lugar mágico e atraente. Kaja Pawełek, curadora da exibição de outono de 2013 em Wrocław, escreveu sobre a atuação do arquiteto:

"Todas as suas intervenções são precedidos por uma pesquisa e coleta de vários tipos de informação, desde fatos históricos, até anedotas, fofocas, notícias em primeira mão, associações livres e formas práticas de utilizar lugares, arquitetura e cidades".

Pawełek realça que os projetos de Szczęsny lidam com o espaço, os problemas sociais, a história e a tradição compreendidos em um sentido mais amplo. Nenhum deles foi concebido separados do seu contexto local, ou seja, nenhum destes projetos poderiam ser realizados em outra localização. Uma torre de observação com uma fachada movimentada pelo vento em um terreno degradado na cidade de Narrogin, na Austrália, visava restaurar o sentido de comunidade dos habitantes da região. Sensorama – uma cabine na qual era possível colocar a cabeça dentro e ter a sensação de estar no inverno foi montada em 2009, no velho porto de Jaffa em Israel. Numa fonte seca, no jardim do palácio Branickich em Białystok, Szczęsny construiu em 2011 o "Kolektor", um pavilhão futurista onde era possível observar reproduções de obras de arte não legendadas. A intenção do autor era fazer uma referência ao fenômeno de olhar as obras artísticas pelo prisma do seu valor de mercado.

"Kolektor" é uma tentativa de restituir a situação pré-renascentista, quando o autor tinha menos importância do que a sua obra submetida à avaliação do público. É também uma meditação sobre os métodos e mecanismos de exibir a arte", disse o autor na ocasião da abertura da instalação.

Moradias

O conjunto das obras de Jakub Szczęsny não se consiste apenas de instalações para provocar reflexão ou de objetos temporários que visam melhorar a realidade ao redor. O arquiteto também tem, no seu portfólio, desenhos de casas mais convencionais. Ele faz projetos para a empresa Simple House, que vende moradias feitas em madeira e que demandam um uso reduzido de energia. Simples, confortáveis e ecológicas, as casas são criadas em reação aos preços elevados no mercado imobiliário: uma casa Simple House deve ter o preço acessível tanto em termos de construção como em manutenção.

Nos anos 2009-2011, foi concebido o projeto de uma casa em Podkowa Leśna, nos arredores de Varsóvia. O arquiteto, desconstruindo a estrutura da casa em uma série de segmentos menores, colocou-os com precisão entre as árvores que enchiam densamente o terreno. Assim, conseguiu preservar todas as árvores antigas. Em Siekierki, Varsóvia, o arquiteto fez o projeto de uma casa em um terreno com dimensões fora do padrão - 60 metros de comprimento por 11 metros de largura. Dois cubos estreitos e planos, colocados um em cima do outro e suavemente desviados um em relação ao outro, permitiram aproveitar ao máximo o terreno da construção.

"Alicja w Ogrodzie Saskim" (Alice no Jardim Saski)

Jakub Szczęsny, "Alicja w Ogrodzie Saskim", 2014, fot. materiały promocyjne
Jakub Szczęsny, "Alicja w Ogrodzie Saskim", 2014, fot. divulgação

Em 2014, Szczęsny foi responsável pelo cenário arquitetónico duma exposição organizada pela Galeria Nacional de Arte Zachęta no jardim municipal de Varsíovia - Ogród Saski (Jardim Saski). A instalação ao ar livre era uma apresentação visual da obra sonora do artista Włodzimierz Jan Zakrzewski, inspirada por Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll. O arquiteto criou um espaço que estimulava também outros sentidos, alargando assim o campo da perceção da obra apresentada. Assim mais uma vez provou que arquitetura não é apenas a embalagem, i.e. paredes e telhado, sendo também capaz de proporcionar estímulos sensuais ou até resolver os problemas da contemporaneidade. Basta olhar para ela no contexto mais ampla do que o meramente material.

Autora: Anna Cymer, dezembro de 2014 (tradução para o português: Katarzyna Stachowicz)

 

Anna Cymer's picture
Anna Cymer
2015/12/15

Jakub Szczęsny

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